Está aberto o cronograma para a volta das torcidas aos estádios.Com a autorização da Conmebol para que haja público nas competições sul-americanas, desde que permitido pelas autoridades sanitárias, aumentou a expectativa pelo retorno. Clubes, governos, federações e administradores de estádios tentam viabilizar as operações. Na segunda-feira (12), uma reunião da equipe técnica da prefeitura de Porto Alegre debateu o tema. Foi definido que alguns eventos serão realizados no fim do mês. Primeiro, com a entrada de pessoas testadas, depois com quem tiver completado a vacinação.

Por mais que não seja imediato (para as oitavas de final de Libertadores e Sul-Americana, por exemplo), Inter e Grêmio sabem que é iminente o retorno do público. Os clubes estão em reuniões permanentes com autoridades para atualizar a situação, e nesta quarta-feira (14) o assunto deve ser pauta na Câmara de Vereadores da Capital, com a discussão de um projeto de autoria do vereador Mauro Pinheiro (PL) que permite a volta da torcida, limitada de 25% da capacidade de Beira-Rio e Arena.

No Inter, a Brio, que compartilha a administração do Beira-Rio junto ao Inter, afirma que irá adaptar o plano de operação às novas orientações, “garantindo segurança ao torcedor no seu retorno”. De acordo com o vice-presidente de Administração e Patrimônio do clube, Victor Grunberg, já estão prontos os estudos de operação para receber público de acordo com a liberação das autoridades. Isso vai desde controle de entradas a quantidade de portões, setores liberados, número de trabalhadores, entre outros.

Essa possibilidade, aliás, é o que viabiliza abrir o estádio para menos torcedores do que o habitual. Normalmente, deixar Beira-Rio e Arena em condições para receber público tem um custo, que, em tese, é suprido pelo número de pessoas que ingressam. Com esse controle, será possível anteceder a operação e reduzir os gastos.

— A torcida é fundamental para o esporte — resume Grunberg, que completa:

— Mesmo se eventualmente não valesse a pena financeiramente, temos um compromisso com nossos sócios, que se mantiveram fieis mesmo sem poder fazer o mais importante, que é ir no estádio apoiar o time.

Nos jogos desta semana, nem Inter nem Grêmio terão torcida contra si nas partidas por Libertadores e Sul-Americana. Não há tempo hábil para Olimpia e LDU conseguirem liberação de seus governos para os jogos de terça (no Equador) e quinta (no Paraguai). Nas quartas de final, porém, é bem provável que haja público, caso a dupla avance.

Para especialista, retorno deve ser gradual

Segundo o epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas, a volta das torcidas aos estádios precisa ser gradual e acompanhar a situação sanitária do país. Veja entrevista.

Quais são os riscos de se abrir um estádio? Estamos prontos?

Temos de ser bem responsáveis para discutir esses assuntos. O segundo semestre desse ano vai servir para testar os protocolos e ajustar, ver o que vai dar certo, para o próximo ano abrir com as coisas abertas, me parece a tendência natural. O entorno do futebol é perigoso, seja o bar antes do jogo, a volta do estádio, o portão de acesso, a arquibancada e a saída. Em todos os momentos, pode ter aglomeração, e temos de evitar em todos os momentos. Então temos de ter um protocolo rígido de testagem, apresentar exame PCR negativo recente, usar máscara, de preferência as mais seguras, durante todo o evento. A experiência da Copa América, com 10% da capacidade, é razoável.

Existe alguma forma menos arriscada, como apresentar exame negativo ou carteira de vacinação?

Agora, enquanto o vírus ainda circula bastante, eu não aceitaria apenas a comprovação da vacinação. Precisa ser o PCR negativo. A carteira de vacinação pode ser aceita daqui a um ou dois meses, se seguirmos nessa tendência positiva.

Qual é o percentual adequado de público nos estádios neste momento?

Não tem uma resposta fácil para isso. Acho melhor ir testando um método gradativo, até para as pessoas irem se acostumando ao que podem e o que não podem fazer. Gosto da ideia de começar com 10%, subir para 25% e depois aumentar. Nesse meio tempo, vai educando as pessoas, testando o protocolo, organizando filas, aumentando os portões ou realizando escalas para a entrada do público.