O dia seguinte à derrota do Inter para o Fortaleza foi marcado por um clima de tensão. No desembarque da delegação em Porto Alegre, ainda na madrugada desta segunda-feira (7), os jogadores foram hostilizados por um grupo de torcedores, que gritavam “vergonha” e “vagabundos” no saguão do aeroporto Salgado Filho. Os atletas precisaram do apoio dos seguranças e da Brigada Militar para ingressar no ônibus.

À tarde, a reapresentação do grupo, no CT Parque Gigante, foi marcada pela presença de um forte aparato policial. Nenhum incidente nas imediações do centro de treinamentos foi registrado, no entanto.

Apesar da pressão, ao longo do dia uma série de reuniões entre o Conselho Gestão e o departamento de futebol confirmou a ideia de manter o técnico Miguel Ángel Ramírez. Contudo, a direção vai exigir que o treinador flexibilize alguns dos seus conceitos.

A ideia dominante na direção é de que o clube não poderia abandonar uma convicção por conta de uma derrota, por mais acachapante que ela seja. Além disso, a alta multa rescisória torna mais difícil uma quebra de contrato.

Desta forma, a saída será realizar uma “intervenção” no vestiário. Ramírez será cobrado para fazer ajustes na sua maneira de jogar, de modo que a equipe volte a evoluir. À noite, uma nova reunião debaterá as medidas que serão tomadas ao longo da semana para que o time retome os bons resultados.

Contudo, apesar do prestígio momentâneo, o treinador segue ameaçado no cargo. Caso a equipe não apresente um bom desempenho ou não consiga a classificação diante do Vitória, na quinta-feira, pela Copa do Brasil, o espanhol corre alto risco de ser demitido.