O técnico Miguel Ángel Ramírez prepara uma mudança de esquema no Inter para o Brasileirão. Sem abrir mão da sua filosofia preferida, conhecida como “Jogo de Posição”, o treinador deve abdicar dos pontas e firmar Yuri Alberto e Thiago Galhardo como dupla de ataque. Um dos objetivos é explorar melhor a qualidade dos atacantes colorados

No 4-3-3, sistema utilizado pelo espanhol anteriormente, só há lugar para um centroavante. Como o escolhido normalmente é Thiago Galhardo, Yuri Alberto e Paolo Guerrero acabam amargando o banco de reservas. Já com o novo modelo, a equipe colorada voltará a ter uma dupla de ataque, como tradicionalmente ocorria nos anos 90 e 2000.

— Sempre me dei melhor jogando ao lado de outro atacante. No Corinthians, joguei com o Tevez. No Inter, fiz dupla com Alex e com Taison. Este estilo dá mais liberdade para o atacante. Cresci vendo Bebeto e Romário, né!? Sinto saudade disso. Hoje, atuando como pontas, alguns atacantes ficam muito sacrificados tendo que ajudar na marcação do lateral. Acho que o Guardiola fez um “mal” para muitos treinadores (risos) — opina Nilmar, ex-atacante do Inter, citando as tendências táticas difundidas pelo técnico catalão após os títulos conquistados pelo Barcelona.

Desde a semana passada, Ramírez passou a treinar o Inter no 4-4-2, com variação para o 3-5-2. Essa nova formação até chegou a ser utilizada nos minutos iniciais do Gre-Nal e do jogo contra o Always Ready, mas em ambas as ocasiões foi abandonada pelo treinador ainda no primeiro tempo (no clássico, em razão da expulsão de Yuri Alberto).

No Brasileirão, contudo, o novo esquema deve ter sequência. Com a bola, o volante Rodrigo Dourado seguirá recuando e atuando como um líbero ao lado dos zagueiros Lucas Ribeiro e Víctor Cuesta. Já no meio-campo, Edenilson e Maurício devem atuar pelos lados, com Taison se posicionando como um meia-atacante centralizado. Na frente, a dupla de ataque será formada por Yuri Alberto e Thiago Galhardo.

— O elenco do Inter tem muitos atacantes centralizados e poucos pontas. O Patrick e o Maurício podem jogar abertos, mas não tão fixos como quer o Ramírez. O Palacios até partia do lado no Unión Española, mas ele circulava bastante pela intermediária. Os únicos atletas que têm essa característica (de atuar na ponta) são o Caio Vidal e o Marcos Guilherme, que está de saída (para o Santos). Por isso, penso que o 4-4-2 pode ser uma alternativa melhor — avalia o jornalista Rodrigo Coutinho, analista de desempenho do projeto Footure.

Contudo, a mudança do 4-3-3 para o 4-4-2 não vai alterar em nada a filosofia de Ramírez a respeito do “Jogo de Posição”. Mesmo em outro sistema, o time seguirá atuando de forma ofensiva e buscando ter a posse da bola o maior tempo possível.

— O que vai mudar são os jogadores que ocuparão os lados do campo. No 4-3-3, os pontas jogam bem abertos. No 4-4-2 e no 3-5-2, quem terá que ocupar este espaço serão os laterais ou os meio-campistas. Como o Inter tem muitos bons centroavantes, como Thiago Galhardo, Yuri Alberto e Guerrero, acredito que tanto o 4-4-2 como o 3-5-2 são boas opções para melhorar o ataque, que talvez seja o ponto crítico neste início de trabalho do Ramírez — comenta o jornalista especializado em análise tática Léo Miranda, do site GE.

Quando atuava no Villareal, entre 2009 e 2012, Nilmar formava dupla de ataque com o atacante italiano Giuseppe Rossi. Na época, mesmo atuando no 4-4-2, o técnico espanhol Juan Garrido também aplicava o “Jogo de Posição”, com uma ideia semelhante à que Ramírez quer implementar no Inter.

— Para mim, este estilo de jogo não é nenhuma novidade. O Villareal no meu tempo também jogava assim, era um espelho do Barcelona. É difícil para o jogador se adaptar a este modelo. É um desafio e leva tempo — finaliza Nilmar.